O voto em separado do senador Eduardo Girão (Novo-CE) contra o PL 2234/22, que propõe a legalização dos jogos de azar no Brasil, tem sido alvo de críticas por conter erros graves e desinformações. Especialistas apontam que o relatório inclui equívocos e preconceitos que comprometem a discussão sobre a legalização dos jogos.

Análise do Voto em Separado contra PL 2234/22

O voto em separado de Girão, apresentado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, tem 16 páginas e foi descrito como uma “peça de ficção” por especialistas no tema. O relatório apresenta erros grosseiros, interpretações equivocadas e informações ultrapassadas. Um dos principais erros é a afirmação de que a Medida Provisória (MP) 168/04, que proibiu os bingos, foi convertida na Lei nº 10.846/2004, que na verdade trata do Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior.

Erros sobre Lavagem de Dinheiro e Sonegação Fiscal

O senador Girão argumenta que a legalização dos jogos facilitaria a lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e outras práticas ilícitas. Especialistas contestam essa visão, afirmando que essas associações são usadas por opositores para justificar uma proibição desatualizada. No Brasil, o jogo não regulado continua a existir e prosperar sem gerar investimentos, empregos ou tributos, e sem proteção ao cidadão.

Do ponto de vista econômico, é praticamente impossível uma empresa de jogos cometer os crimes de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro simultaneamente, pois são crimes distintos com características diferentes. Ou a empresa lava dinheiro, ou sonega, mas não ambos ao mesmo tempo.

Impacto Social da Legalização com PL 2234/22

Outro ponto levantado pelo senador é o suposto alto custo social da legalização dos jogos de azar. Girão afirma que os custos para a sociedade superariam qualquer benefício, e que os benefícios seriam privados, enquanto os custos seriam públicos. Essa visão ignora a realidade atual, onde o jogo já existe no Brasil, mas de forma não regulada.

Realidade Atual e Benefícios da Regulação

No Brasil, há uma grande oferta de jogos não regulados, e o setor público já patrocina o tratamento de jogadores compulsivos através dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). O projeto de legalização prevê que 4% da Cide-Jogos seriam destinados ao financiamento de programas e ações de saúde relacionados à ludopatia.

A legalização pode trazer inúmeros benefícios, como geração de empregos, aumento de arrecadação tributária e maior controle sobre atividades ilícitas associadas aos jogos não regulados. A regulamentação permitiria um monitoramento mais eficaz, reduzindo riscos de crimes associados ao jogo não controlado.

Opinião das Instituições e Compromissos Internacionais

O voto em separado também menciona que instituições como a Polícia Federal, Receita Federal, COAF e Procuradoria Geral da República são contra a legalização por falta de ferramentas adequadas para fiscalização. Essas afirmações são baseadas em antigas manifestações e não refletem as recentes discussões e audiências públicas sobre o tema.

Reuniões com Órgãos de Controle Sobre a PL 2234/22

Em 2020, houve uma reunião com o procurador-geral da República, Augusto Aras, onde foi destacado que a questão da legalização é política e não jurídica. Além disso, o Grupo de Trabalho do Marco Regulatório dos Jogos incorporou sugestões técnicas de órgãos como o COAF e a Polícia Federal para garantir um texto moderno e eficiente.

O projeto inclui medidas rigorosas para prevenção à lavagem de dinheiro, como identificação do apostador através do CPF, uso de cashless, pagamentos via PIX e notificação obrigatória ao COAF de prêmios superiores a R$ 10 mil.

Tratados Internacionais de Prevenção à Lavagem de Dinheiro

Girão cita que o texto não considera as implicações internacionais da legalização dos jogos de azar, especialmente os compromissos do Brasil em tratados de prevenção à lavagem de dinheiro e financiamento do terrorismo, como as recomendações do Grupo de Ação Financeira Internacional (GAFI). No entanto, o Grupo de Trabalho do Marco Regulatório dos Jogos tomou cuidado de se alinhar com essas recomendações.

Após a reunião com o COAF, foram adotadas medidas como a identificação do apostador através do CPF, o uso de cashless, pagamentos via PIX e a notificação obrigatória ao COAF de prêmios superiores a R$ 10 mil. Essas ações visam garantir um controle rigoroso e transparente das atividades de jogo no Brasil.

Desqualificação do Relatório

O relatório de Girão também afirma que o fechamento dos bingos em 2004 foi devido a uma série de investigações que revelaram uma relação entre bingos e práticas de corrupção e lavagem de dinheiro. No entanto, essa afirmação é incorreta. A proibição dos bingos foi resultado de uma medida provisória tomada em resposta a uma crise política envolvendo o governo federal.

Erros Fundamentais no Relatório

O relatório de Girão contém erros fundamentais que desqualificam suas conclusões. A MP 168/04, que proibiu os bingos, foi rejeitada pelo Senado em 2004 por não atender aos pressupostos constitucionais de relevância e urgência. Além disso, a Lei nº 10.846/2004 citada pelo senador trata do Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior, e não tem relação com a proibição dos bingos.

Esses erros mostram uma falta de cuidado e conhecimento sobre o tema por parte do senador e de sua equipe. A perpetuação de desinformações prejudica a discussão séria e fundamentada sobre a legalização dos jogos no Brasil.

Conclusão

O voto em separado do senador Eduardo Girão ao PL 2234/22 foi criticado por conter erros graves e desinformações. Especialistas destacam que a legalização dos jogos de azar no Brasil pode trazer benefícios significativos, incluindo geração de empregos, aumento de arrecadação tributária e maior controle sobre atividades ilícitas. A regulamentação dos jogos permitiria um monitoramento mais eficaz, reduzindo riscos de crimes associados ao jogo não controlado e proporcionando um ambiente mais seguro para os jogadores.

Importância da Regulação com a PL 2234/22

A regulamentação dos jogos de azar no Brasil é um passo necessário para modernizar e trazer transparência ao setor. Com medidas rigorosas de controle e monitoramento, é possível minimizar os riscos associados aos jogos e maximizar os benefícios econômicos e sociais.

A legalização não apenas criaria um mercado mais seguro e regulado, mas também contribuiria para o desenvolvimento econômico do país, gerando empregos e aumentando a arrecadação tributária. A oposição baseada em desinformações e preconceitos impede um debate construtivo e impede o avanço de uma regulamentação necessária.

Com uma abordagem informada e equilibrada, é possível criar um ambiente onde os jogos de azar sejam uma fonte de entretenimento segura e regulada, beneficiando tanto a economia quanto a sociedade brasileira.

Gustavo_moretto
Especialista em Conteúdo, Apostas e Cassino Online | Web

Gustavo H. Moretto é um especialista em cassino e apaixonado por mesas de blackjack. Ele acumula mais de uma década de experiência em jogos de azar online. Ele analisou milhares de cassinos online, caça-níqueis e jogos de cassino e conhece bônus, métodos de pagamento e tendências da indústria. Moretto tem como objetivo educar jogadores novos e experientes sobre os riscos e recompensas de apostar online, e a tomarem decisões mais informadas sobre apostas esportivas e cassino online.