O atacante Bruno Henrique, do Flamengo, enfrenta um novo capítulo em sua trajetória judicial. O Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios (MPDFT) recorreu de uma decisão da 7ª Vara Criminal de Brasília, que acolheu apenas parcialmente a denúncia contra ele e seu irmão, Wander Nunes Pinto Júnior, aceitando-os como réus apenas por manipulação de resultado esportivo. Agora, o MPDFT busca incluir a acusação de estelionato e impor uma série de medidas cautelares drásticas.

Decisão Judicial Parcial

No último dia 25 de julho, o juiz Fernando Brandini Barbagalo aceitou parcialmente a denúncia do MPDFT. Os irmãos Bruno Henrique e Wander foram formalmente considerados réus por fraude em competição esportiva, enquadramento previsto na Lei Geral do Esporte (Lei nº 14.597/2023), com pena prevista de 2 a 6 anos de prisão e multa. No entanto, as outras acusações, como estelionato, foram rejeitadas por “falta de documentos comprobatórios e ausência de representação das casas de apostas”, segundo o magistrado.

O Recurso do MPDFT

O Gaeco, núcleo do MPDFT responsável pelo caso, apresentou um recurso exigindo que a Justiça reforme a decisão e aceite a denúncia por estelionato — crime que inclui obtenção de vantagem ilícita fraudulentamente, com penas mais severas. Além disso, os promotores do MPDFT requisitam:

  • Fiança de R$ 2 milhões para ambos os acusados, com o intuito de garantir a continuidade das investigações e prevenir ameaça ao processo.
  • Suspensão de toda atividade econômica ou financeira relacionada a apostas esportivas, inclusive contratos de patrocínio e publicidade, tanto vigentes quanto futuros.
  • Proibição de criação de contas em plataformas de apostas, bem como a realização de apostas diretas ou via terceiros.

O objetivo é impedir que continuem realizando atividades que possam repetir o modelo de manipulação investigado.

Justificativa do MPDFT

O MPDFT argumenta que manter os acusados com liberdade de atuar no mercado de apostas configura risco para novas práticas ilícitas. Eles afirmam que excluir contratos pessoais com casas de apostas foi negligenciado na decisão original. O órgão também destaca que a penalização não atinge patrocínios do Flamengo como clube, apenas contratos pessoais firmados pelo jogador.

O recurso pontua que impedir os réus de acessar o setor de apostas elimina o ambiente que facilitou a suposta prática delituosa. “O Gaeco pretende afastá-los do ‘palco' que lhes serviu de cenário para o estelionato, bem como evitar que contratem serviços de apostas, meios utilizados para favorecimento ilícito e obtenção de ganho indevido”, dizem os promotores.

O Caso: O Que o MPDFT Sustenta

A denúncia apresentada à Justiça se ampara em investigação que indicou:

  • Orientação do irmão (Wander) para Bruno Henrique forçar um cartão amarelo durante o jogo entre Flamengo e Santos em 1º de novembro de 2023, no Mané Garrincha.
  • Essa informação teria sido repassada a familiares e a um amigo, que divulgou o dado para apostadores.
  • Estes realizaram apostas específicas no cartão amarelo do atleta — um volume atípico e concentrado em contas recém-criadas ou com valores exagerados.
  • Na plataforma Betano, por exemplo, 98% das apostas se concentraram no cartão; dados similares foram observados em outras casas como GaleraBet e KTO.
  • No dia da partida, Bruno Henrique recebeu o cartão amarelo nos minutos finais e depois foi expulso por ofender o árbitro.

Esses fatos embasaram a denúncia por manipulação esportiva e fundamentam a tentativa de reinclusão da acusação por estelionato.

O Histórico Mais Grave

A primeira fase do caso, desencadeada pela Operação Spot-fixing em novembro de 2024, resultou em buscas judiciais e indiciamento do jogador, do seu irmão e de diversas pessoas próximas. Em abril de 2025, a Polícia Federal formalizou a denúncia por fraude em apostas esportivas contra Bruno Henrique e mais nove envolvidos.

Posteriormente, o caso também chegou ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). Lá, o atacante pode sofrer suspensão de até dois anos dos gramados, conforme denunciado pelo procurador do tribunal.

Críticas e Defesa do Atleta

O recurso do MP suscitou críticas de interlocutores ligados ao jogador. Eles afirmam que foi um equívoco não anexar documentos essenciais, como boletins de ocorrência das casas de apostas alegadamente lesadas. Defendem que o MP “cometeu uma bola fora” ao encaminhar a denúncia sem fundamentação completa.

Por sua vez, a defesa de Bruno Henrique divulgou nota de que o atleta jamais participou de esquema de apostas. Afirma que a maior parte da denúncia foi rejeitada e que irá colaborar totalmente com a Justiça para esclarecer os fatos.

Riscos Legais e Impacto na Carreira

Se a Justiça acolher o recurso, Bruno Henrique poderá responder por estelionato, crime que acarreta pena de até cinco anos, além da já prevista pena de fraude esportiva. Isso elevaria o risco de condenação criminal significativa.

Já no âmbito esportivo, o julgamento no STJD deve ocorrer no início de setembro. Uma eventual suspensão significaria impasse judicial entre Justiça comum e tribunal desportivo, em um cenário já sensível à imagem do clube e do atleta.

Importância do Caso

O caso de Bruno Henrique evidencia como o esporte profissional está vulnerável a práticas ilícitas como spot-fixing e manipulação de resultados. A atuação coordenada pelo Gaeco e Polícia Federal mostra que as autoridades estão atentas ao impacto das apostas sobre a integridade das competições.

Além disso, o recurso do Ministério Público busca garantir que os investigados não tenham acesso ao ambiente que pode facilitar novos crimes, reforçando a função preventiva da Justiça.

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Jornalista, especialista em conteúdo web, revisora e editora. | Web

Jornalista, especialista em conteúdo para web, revisora e editora. Paola Patrício, jornalista, especialista em conteúdo para web há mais de 10 anos. Analisou e escreveu sobre diversos temas, até se apaixonar pelo esporte e outros temas. Seu foco é levar informações valiosas para os leitores com conteúdo de qualidade.