O Atlético-MG surpreendeu o futebol brasileiro nesta sexta-feira (29) ao anunciar a demissão de Cuca, técnico mais vitorioso da história do clube. A decisão foi comunicada ao treinador na Cidade do Galo, poucas horas depois de receber alta médica de uma cirurgia no ombro direito. O rompimento de contrato, que iria até dezembro de 2026, encerra a quarta passagem de Cuca pelo Galo e abre um novo capítulo na trajetória do time mineiro.

A saída ocorre em um momento de pressão, após a derrota para o Cruzeiro por 2 a 0, na Arena MRV, no primeiro jogo das quartas de final da Copa do Brasil. Mais do que um tropeço, o resultado foi visto como reflexo da instabilidade do Atlético-MG, que também vinha oscilando no Campeonato Brasileiro e não conseguiu engrenar na Copa Sul-Americana, uma das prioridades da temporada.

Os bastidores da demissão

Segundo informações do Atlético-MG, a decisão de demitir Cuca foi tomada na noite de quinta-feira (28), logo após a derrota no clássico contra o Cruzeiro. A diretoria avaliou que os resultados recentes não condiziam com o investimento feito no elenco e optou por encerrar o trabalho antes que a pressão aumentasse ainda mais.

Na manhã seguinte, o treinador se reuniu com a cúpula do Atlético-MG foi informado oficialmente de sua saída. Em comunicado, Cuca afirmou compreender a decisão e agradeceu à torcida, jogadores, comissão técnica e dirigentes.

“Entendo a demissão. Acho que ela se justifica pelos últimos resultados no Campeonato Brasileiro. Infelizmente, perdemos jogadores importantíssimos que nos fizeram muita falta”, declarou.

A postura serena de Cuca na despedida reforçou a boa relação que manteve com o clube, apesar da frustração por não conseguir repetir os grandes feitos de passagens anteriores.

A quarta passagem de Cuca pelo Atlético-MG

Anunciado no fim de dezembro de 2024, Cuca iniciou sua quarta passagem pelo Atlético-MG com o objetivo de recolocar o time entre os protagonistas do futebol brasileiro. O treinador de 61 anos acumulava um histórico de conquistas pelo clube e tinha a confiança da torcida.

Entre janeiro e agosto de 2025, Cuca comandou o time em 45 jogos oficiais, com 22 vitórias, 11 empates e 12 derrotas. Apesar de números razoáveis, a falta de consistência em competições nacionais e internacionais pesou contra ele. O ponto positivo foi a conquista do Campeonato Mineiro de 2025, título que somou ao seu extenso currículo com o Atlético-MG.

Além dos jogos oficiais, dirigiu a equipe em dois empates sem gols no Torneio da Flórida, contra Cruzeiro e Orlando City.

Legado e títulos de Cuca pelo Atlético-MG

Mesmo com a saída precoce nesta temporada, Cuca continua sendo o treinador mais vitorioso da história do Atlético-MG. Ao longo de quatro passagens, acumulou sete títulos oficiais, incluindo alguns dos maiores feitos da história do clube:

  • Copa Libertadores da América (2013) – título inédito e mais marcante da história atleticana;
  • Campeonato Brasileiro (2021) – primeira conquista nacional desde 1971;
  • Copa do Brasil (2021);
  • Quatro Campeonatos Mineiros (2012, 2013, 2021 e 2025).

Ao todo, foram 292 jogos no comando do Atlético-MG, o que coloca Cuca como o quarto técnico com mais partidas à frente do clube, atrás apenas de Telê Santana (424), Procópio Cardoso (328) e Levir Culpi (320).

Por que a diretoria decidiu pela demissão?

Apesar do currículo vencedor, a atual passagem de Cuca gerou questionamentos. Três fatores pesaram na decisão da diretoria:

  1. Resultados abaixo do esperado – O Atlético-MG patinava no Brasileirão, com desempenho irregular que afastava o time do G4.
  2. Eliminações em competições – A derrota no primeiro jogo da Copa do Brasil contra o Cruzeiro e a queda precoce na Sul-Americana aumentaram a pressão.
  3. Estilo de jogo criticado – Torcedores e analistas apontaram falta de criatividade ofensiva e fragilidade defensiva, contrastando com o investimento em nomes de peso do elenco.

Além disso, a pressão externa e o ambiente pesado após o clássico contra o maior rival deixaram a permanência de Cuca insustentável.

O impacto da saída para o Atlético-MG

A demissão de Cuca abre espaço para várias mudanças no Atlético-MG. O clube precisa agir rapidamente para definir um substituto, já que está em disputa no Brasileirão e ainda tem chances na Copa do Brasil. A escolha do próximo treinador será crucial para evitar que a temporada 2025 seja considerada perdida.

No vestiário, a saída pode ter efeito duplo: por um lado, representa um baque para jogadores que tinham boa relação com Cuca; por outro, pode servir como “choque de gestão” para motivar o elenco em busca de reação imediata.

Possíveis substitutos para Cuca no Galo

Com a saída de Cuca, começam as especulações sobre quem assumirá o comando técnico do Atlético-MG. Alguns nomes já circulam nos bastidores:

  • Fernando Diniz – técnico conhecido pelo estilo ofensivo, pode ser opção caso deixe a Seleção Brasileira após o ciclo da Copa América.
  • Renato Gaúcho – sempre lembrado em grandes clubes, tem experiência e títulos de peso no currículo.
  • Juan Pablo Vojvoda – destaque no Fortaleza, vem sendo especulado em grandes equipes do país.
  • Treinadores estrangeiros – a diretoria não descarta buscar nomes de fora, como fez em momentos anteriores da história.

A definição deve acontecer nos próximos dias, já que o Atlético-MG não pode perder tempo em meio à sequência de jogos.

A relação entre Cuca e a torcida

Poucos treinadores criaram uma ligação tão forte com a torcida do Atlético-MG quanto Cuca. O título da Libertadores de 2013 imortalizou sua imagem entre os torcedores, que o apelidaram de “eterno comandante do Galo”.

Mesmo com críticas nesta última passagem, muitos atleticanos reconhecem a importância do técnico na história do clube. Sua despedida emocionada reforçou essa conexão, destacando que “o Galo sempre estará no meu coração e da minha família”.

O que esperar do Atlético-MG após a saída de Cuca

O Atlético-MG agora enfrenta o desafio de reorganizar seu projeto esportivo para 2025. A base do elenco é competitiva, com nomes como Hulk, Paulinho, Arana e Battaglia, mas precisa de um comando forte para recuperar a confiança.

A curto prazo, o time deve ser comandado por um técnico interino, possivelmente um auxiliar fixo da comissão, até que a diretoria anuncie o substituto. A médio e longo prazo, a escolha do novo treinador será determinante para definir se o clube brigará por títulos ou apenas por vaga em competições continentais.

A demissão de Cuca do Atlético-MG marca o fim de mais um ciclo importante na história do clube. O treinador sai como o mais vitorioso da história alvinegra, mas não conseguiu repetir os feitos das passagens anteriores nesta temporada.

Para o Atlético-MG, é hora de reconstrução. A diretoria precisa agir rápido para encontrar um nome capaz de manter o time competitivo e atender às expectativas de uma torcida apaixonada e exigente.

Independentemente de quem assuma, o legado de Cuca já está escrito: ele será lembrado como o comandante de algumas das maiores glórias do Atlético-MG, especialmente a tão sonhada Libertadores de 2013.

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Jornalista, especialista em conteúdo web, revisora e editora. | Web

Jornalista, especialista em conteúdo para web, revisora e editora. Paola Patrício, jornalista, especialista em conteúdo para web há mais de 10 anos. Analisou e escreveu sobre diversos temas, até se apaixonar pelo esporte e outros temas. Seu foco é levar informações valiosas para os leitores com conteúdo de qualidade.