O Cruzeiro viveu uma situação de frustração após empatar com o América-MG no jogo de ida da semifinal do Campeonato Mineiro. Apesar de ter saído na frente e até mesmo criado boas oportunidades para ampliar a vantagem, a equipe acabou cedendo o empate no fim da partida. Esse resultado, além de perder uma importante chance de avançar com mais tranquilidade, também expôs falhas recorrentes que vêm sendo observadas ao longo das últimas temporadas. Agora, sob o comando de Leonardo Jardim, o Cruzeiro precisa corrigir esses erros e melhorar a sua dinâmica de jogo.
A estreia de Jardim: mudanças e desafios para o Cruzeiro
A partida contra o América-MG marcou a estreia de Leonardo Jardim com a equipe principal do Cruzeiro, após a derrota para o Democrata GV, com os reservas. O técnico português fez algumas alterações táticas, começando pela entrada de Eduardo na vaga de Marquinhos, buscando dar mais controle ao meio-campo e um estilo de jogo diferente. O objetivo era tornar o time mais dinâmico e equilibrado, com maior construção de jogo no meio e mais liberdade para os jogadores de criação.
No primeiro tempo, o Cruzeiro se apresentou com um estilo mais focado no jogo centralizado. Com a ausência de um ponta velocista pela direita, os meias e atacantes como Eduardo, Matheus Henrique e Matheus Pereira se movimentaram mais pelo meio, criando algumas boas triangulações. A ideia era, de fato, dar maior profundidade ao jogo coletivo, mas ainda faltou entrosamento entre os jogadores, o que gerou certa ineficiência nas jogadas.
Tática de Jardim e dificuldades na construção de jogo
Uma das primeiras impressões sobre a gestão de Jardim foi o pedido claro para que o Cruzeiro jogasse com mais amplitude, explorando os alas ao máximo para abrir espaços. A intenção era criar mais opções para os meias e até para os atacantes. Contudo, essa estratégia encontrou dificuldades durante o jogo, principalmente pela falta de velocidade nas transições e pela insistência em jogadas muito burocráticas, com excessiva troca de passes entre goleiro, laterais e zagueiros, algo que irritou o técnico ao longo da partida.
Apesar de uma maior tentativa de verticalidade no jogo, com passes mais rápidos e diretos, o Cruzeiro falhou na execução de algumas dessas transições. Os erros na saída de bola foram constantes no primeiro tempo, frustrando o técnico, que viu sua equipe cometendo falhas simples e oferecendo contra-ataques ao adversário. Embora as ideias de Jardim tenham ficado visíveis, elas ainda precisam de mais tempo e ajustes para alcançar uma execução mais eficiente.
Erros crônicos continuam a aparecer no Cruzeiro
Um dos maiores problemas que Leonardo Jardim terá que corrigir no Cruzeiro são os erros crônicos que foram evidenciados no empate contra o América-MG, especialmente em relação à marcação e ao controle do meio-campo. A falta de sincronia na hora de pressionar o adversário foi clara, permitindo que o time rival transitasse facilmente pela defesa cruzeirense, criando muitos lances de mano a mano. Essa falha se deve, em grande parte, à lentidão na recomposição defensiva e à falta de uma marcação eficiente na linha intermediária.
Além disso, o Cruzeiro tem sofrido com a dificuldade de controlar o “coração” do campo, o meio-campo. O time adversário, mesmo em situações de inferioridade numérica, tem encontrado espaços para se aproximar da área cruzeirense com facilidade. A falta de combate, principalmente em jogadas que envolvem a aproximação dos meias contrários, tem sido uma constante nos jogos do time celeste. No gol de empate do América-MG, por exemplo, o Cruzeiro deixou Lucas Romero sem cobertura na área, permitindo o chute de Cauan Barros.
Ofensivamente, o Cruzeiro precisa de ajustes na criação de jogadas
Embora o Cruzeiro tenha mostrado algum crescimento ofensivo com a presença dos seus principais jogadores, o clássico contra o América-MG evidenciou uma dificuldade que já se arrasta há algum tempo: os pontas não têm conseguido se aproximar de maneira eficiente. Marquinhos, pela direita, e Dudu, pela esquerda, têm sido frequentemente obrigados a tentar jogadas individuais para se destacar, sem conseguir combinar de forma fluida com os outros atacantes.
No caso de Dudu, especificamente, embora tenha feito algumas boas combinações com Gabigol e Matheus Pereira, o camisa 7 não conseguiu se destacar como esperado e acabou se tornando previsível. O Cruzeiro ainda sofre para encontrar uma jogada ofensiva mais coletiva e eficiente, o que é um dos desafios para Jardim corrigir. Além disso, um problema que ficou evidente foi a ineficiência nas bolas aéreas. O time teve seis escanteios, além de outras faltas na intermediária, mas não conseguiu levar perigo ao goleiro Matheus Mendes.
Jardim terá tempo para corrigir e implementar sua filosofia
Apesar de ser apenas o começo do trabalho de Leonardo Jardim, o técnico português tem um grande desafio pela frente: implementar sua filosofia de jogo de um time equilibrado, compacto e vertical. Embora as ideias tenham sido apresentadas, elas ainda precisam de tempo para serem consolidadas e para que a equipe consiga se adaptar ao seu estilo de jogo. O trabalho de Jardim requer um bom período de treinamentos, que ele terá na próxima semana, para tentar melhorar a execução de seu plano tático e corrigir os erros visíveis no time.
O Cruzeiro precisará de ajustes tanto na parte defensiva quanto ofensiva, com um foco especial no posicionamento e na compactação do meio-campo. A equipe precisa evoluir em sua marcação, principalmente na pressão sobre o adversário, e também deve melhorar na forma de atacar, buscando jogadas mais dinâmicas e com mais aproximação entre os jogadores ofensivos.
Confiança e busca pela classificação no Campeonato Mineiro
O empate com o América-MG deixou a classificação para a final do Campeonato Mineiro em aberto. O Cruzeiro precisa vencer o jogo de volta para seguir na disputa pelo título, mas, mais do que isso, precisa retomar a confiança que parece abalada após a saída de Fernando Diniz. Para isso, o time precisa demonstrar uma evolução visível no campo e corrigir os erros que ainda são recorrentes. Leonardo Jardim terá a responsabilidade de transformar o time em uma equipe mais coesa e eficiente, capaz de superar os adversários e alcançar seus objetivos. A confiança do torcedor está em jogo, mas com o tempo e os ajustes certos, a recuperação pode ser alcançada.
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Jornalista, especialista em conteúdo para web, revisora e editora. Paola Patrício, jornalista, especialista em conteúdo para web há mais de 10 anos. Analisou e escreveu sobre diversos temas, até se apaixonar pelo esporte e outros temas. Seu foco é levar informações valiosas para os leitores com conteúdo de qualidade.
