A seleção brasileira feminina de vôlei segue firme em sua caminhada na Liga das Nações (VNL) 2025. Em mais uma atuação consistente, o time comandado por José Roberto Guimarães venceu a Bulgária por 3 sets a 1, nesta quarta-feira (9), em Chiba, no Japão. O resultado garantiu o Brasil na fase final da competição e colocou a equipe na liderança provisória da fase classificatória, com 23 pontos.
Com oito vitórias em nove partidas, o desempenho da equipe até aqui reforça o status do Brasil como uma das potências do vôlei mundial e um dos principais candidatos ao título da VNL deste ano — competição que serve como uma preparação importante para os Jogos Olímpicos de Paris.
Domínio desde o início
O primeiro set da partida mostrou um Brasil dominante. Com volume de jogo, precisão nos ataques e um bloqueio eficiente, a equipe verde e amarela abriu larga vantagem logo nos primeiros pontos, chegando a liderar por 18 a 9. Apesar de uma pequena oscilação que permitiu à Bulgária encostar em 22 a 18, a seleção brasileira se manteve concentrada e fechou o set em 25 a 21, com um ataque certeiro de Julia Bergmann.
Entre os destaques do set estiveram Gabi e Rosamaria, ambas com cinco pontos. Pela Bulgária, Aleksandra Milanova já começava a mostrar seu poder ofensivo, sendo a maior pontuadora da parcial, com seis pontos. A jovem atacante é uma das principais promessas do leste europeu e liderou sua equipe com bravura ao longo da partida.
Tropeço no segundo set acende alerta
O segundo set trouxe mais equilíbrio. A Bulgária, mesmo tecnicamente inferior, aproveitou a desconcentração do Brasil e mostrou força no sistema defensivo e nos contra-ataques. O Brasil liderava por 24 a 20 e parecia caminhar para fechar com tranquilidade, mas erros sucessivos, especialmente no passe e no saque, permitiram a reação das adversárias.
A equipe búlgara aproveitou o momento de instabilidade emocional do Brasil e, com uma Milanova inspirada (chegando a 16 pontos na partida), virou o set e fechou em 29 a 27. Foi um dos poucos momentos de oscilação do Brasil nesta edição da VNL, mas que serve como alerta para os desafios mais duros que ainda estão por vir.
Recuperação firme no terceiro set
A resposta brasileira veio com autoridade. O terceiro set foi um verdadeiro passeio da seleção. Focadas, organizadas e com forte presença no bloqueio, as brasileiras neutralizaram completamente o ataque adversário e abriram vantagem desde os primeiros pontos.
Julia Kudiess brilhou no bloqueio — consolidando-se como a maior bloqueadora da competição com 38 pontos no fundamento — e Rosamaria continuou sendo eficiente no ataque. O placar de 25 a 10 evidenciou a diferença entre as equipes quando o Brasil joga em seu nível mais alto. O domínio foi tão amplo que a Bulgária não conseguiu desenvolver sequer uma jogada com mais de dois toques de ataque em várias passagens de bola.
Consistência no quarto set garante vitória
No quarto e último set, o jogo voltou a ser mais parelho. A Bulgária tentou resistir e aproveitou momentos de irregularidade do passe brasileiro. Ainda assim, a seleção mostrou maturidade emocional para controlar o ritmo e evitar o desgaste de um possível tie-break.
Com ataques distribuídos entre Julia Bergmann, Diana, Gabi e Rosamaria, o Brasil se manteve sempre à frente no placar e fechou a parcial em 25 a 19. A última bola veio com Gabi, símbolo da regularidade e liderança técnica da equipe. A capitã terminou a partida com 11 pontos, atrás apenas de Rosamaria (18), Julia Bergmann (16) e Diana (11).
Vaga garantida e liderança provisória
Com o resultado, o Brasil chegou a 23 pontos na tabela e ultrapassou a Itália, que tem 22. Mais importante que a liderança provisória, porém, foi a garantia matemática da classificação para a fase final da VNL, que será disputada entre os dias 23 e 27 de julho, na Polônia.
A campanha até aqui é digna de destaque: são 8 vitórias em 9 jogos, com apenas uma derrota — diante da própria Itália, em confronto direto. O sistema defensivo tem se mostrado cada vez mais sólido, o bloqueio é um dos mais eficientes da competição e a rotação de atletas tem sido bem administrada por Zé Roberto, o que permite manter um alto nível mesmo com as substituições.
O crescimento de Rosamaria e o bloqueio de Kudiess
Dois nomes merecem atenção especial após a vitória contra a Bulgária: Rosamaria e Julia Kudiess.
Rosamaria, que assumiu mais protagonismo após a rotação da equipe nos primeiros jogos, tem se mostrado uma peça-chave no ataque brasileiro. Contra a Bulgária, foi a maior pontuadora, com 18 pontos. Sua agressividade nas bolas de saída e eficiência no saque têm sido determinantes.
Já Julia Kudiess consolidou-se como a maior bloqueadora da VNL até aqui, ultrapassando Hena Kurtagic, da Sérvia. Com 38 pontos de bloqueio, a central brasileira é um verdadeiro paredão na rede e tem sido responsável por frear o ímpeto ofensivo dos adversários nas partidas mais equilibradas.
O que vem pela frente
A seleção brasileira segue em Chiba para os dois próximos compromissos da terceira semana da fase classificatória da VNL. O próximo duelo será contra a França, na madrugada de quinta-feira (10), às 3h30 (horário de Brasília). Depois, encara a Polônia na sexta-feira (11) e fecha sua participação na fase preliminar contra o Japão, no domingo (13).
Esses três jogos servirão para manter o ritmo, ajustar pontos específicos e, principalmente, testar variações táticas pensando na fase decisiva da competição.
De olho no título
A VNL é um torneio que tem se tornado cada vez mais estratégico para as seleções de elite do voleibol. Para o Brasil, mais do que conquistar o título inédito, a competição serve como laboratório para os Jogos Olímpicos de Paris. O técnico José Roberto Guimarães tem aproveitado para testar formações, dar rodagem às jovens atletas e consolidar um elenco coeso.
Com uma mescla entre experiência (Gabi, Roberta, Carol) e juventude (Julia Kudiess, Bergmann, Diana), o Brasil parece ter encontrado uma fórmula equilibrada para competir em alto nível. A classificação antecipada para a fase final é prova disso.
Firme rumo ao pódio
A vitória sobre a Bulgária não foi apenas mais um resultado positivo na campanha brasileira — foi a confirmação de que a seleção está em um caminho sólido rumo à elite mundial. A oscilação do segundo set serviu de lição, mas a resposta nos sets seguintes mostrou que a equipe tem maturidade e profundidade para lidar com adversidades.
Com a vaga garantida e a liderança em disputa, o Brasil se prepara agora para os desafios finais da fase classificatória, já de olho na briga pelo título. Se mantiver o ritmo e corrigir pequenos detalhes, a torcida pode sonhar — e acreditar — em um lugar no pódio.
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Jornalista, especialista em conteúdo para web, revisora e editora. Paola Patrício, jornalista, especialista em conteúdo para web há mais de 10 anos. Analisou e escreveu sobre diversos temas, até se apaixonar pelo esporte e outros temas. Seu foco é levar informações valiosas para os leitores com conteúdo de qualidade.
