Na noite desta quarta-feira, a Arena MRV foi palco de mais um capítulo emocionante do Atlético-MG na temporada 2025. O Galo venceu de virada o Godoy Cruz por 2 a 1, no jogo de ida das oitavas de final da Copa Sul-Americana, e deu um passo importante para seguir vivo na competição.
O duelo teve ingredientes típicos de mata-mata sul-americano: primeiro tempo ruim do time da casa, marcação sufocante do adversário, cera argentina, arbitragem confusa e, claro, heróis improváveis surgindo no momento decisivo.
O placar, construído com gols de Cuello e Hulk, após a equipe sair atrás, deixa o Atlético em situação confortável para o jogo de volta, na Argentina, onde terá a vantagem do empate para se classificar.
Primeiro tempo: domínio estéril e castigo no fim
O técnico Cuca escalou o Atlético-MG com Everson; Natanael, Lyanco, Alonso e Guilherme Arana; Alan Franco, Gabriel Menino e Gustavo Scarpa; Cuello, Rony e Hulk. O lateral Saravia continuou fora, tratando dores musculares.
Apesar da presença de jogadores de qualidade no meio-campo, o Galo teve enormes dificuldades para furar o bloqueio defensivo do Godoy Cruz. A equipe argentina, bem postada, encaixou a marcação e neutralizou as principais alternativas ofensivas do adversário.
O Atlético até manteve a posse de bola, mas foi incapaz de transformá-la em oportunidades claras. Scarpa e Gabriel Menino, encarregados da articulação, pouco conseguiram criar. O jogo pelas laterais não encaixou, e pelo meio a equipe esbarrava no muro argentino.
A primeira chegada perigosa foi, inclusive, dos visitantes. Em chute de fora da área, Everson foi obrigado a fazer boa defesa. O melhor momento atleticano veio quando Scarpa cruzou para Rony, que cabeceou firme, mas parou no goleiro Petroli.
Aos 38 minutos, veio o castigo: Alonso tentou sair jogando de cabeça, mas entregou a bola para Andino, na entrada da área. O atacante argentino driblou Lyanco e finalizou no canto, abrindo o placar para o Godoy Cruz.
O Atlético chegou a empatar nos acréscimos, com Arana, mas o VAR detectou impedimento milimétrico de Rony no início da jogada, anulando o gol.
Intervalo: bronca de Cuca e mudanças decisivas
Na saída para o vestiário, Hulk adiantou que Cuca não poupou palavras para cobrar mais intensidade da equipe. E as mudanças vieram de imediato: Gabriel Menino, Scarpa e Rony saíram para as entradas de Igor Gomes, Alexsander e Biel.
Pouco depois, Natanael, que já tinha amarelo, deu lugar a Dudu, deslocando Cuello para a lateral-direita. Essa alteração, inclusive, se tornaria fundamental para a reação, já que Cuello foi o melhor em campo.
O Atlético voltou mais agressivo e ocupando mais o campo ofensivo, mesmo com o adversário apostando em muita cera e em paralisar o jogo.
Segundo tempo: pressão, empate e virada com estrela
Logo aos 12 minutos, Alexsander recebeu dentro da área, mas escorregou na hora de finalizar. Pouco depois, Hulk bateu falta com perigo, obrigando Petroli a espalmar.
O empate saiu aos 20 minutos. Arana cruzou da esquerda e Cuello apareceu livre na segunda trave para finalizar de primeira. O argentino não comemorou por respeito ao ex-clube, mas foi ovacionado pela torcida, que sentiu que a virada era possível.
O Godoy Cruz, incomodado, tentou gastar tempo e esfriar o jogo, mas a pressão atleticana só aumentava. Lyanco, já pendurado, acabou substituído por Reinier, que fazia sua estreia com a camisa do Galo. E foi justamente ele o protagonista do lance decisivo: após cruzamento, Reinier ajeitou de peito para Hulk fuzilar. Golaço, que colocou o Atlético em vantagem e ainda fez do camisa 7 o maior artilheiro da Arena MRV, superando Paulinho.
Fatores decisivos da vitória
- Mudanças de Cuca – As quatro alterações logo no início do segundo tempo mudaram o rumo da partida. Igor Gomes ajudou na construção, Alexsander deu mobilidade ao meio e Biel levou velocidade para o ataque.
- Cuello como peça-chave – Além do gol de empate, o argentino fez partida segura na defesa, quando deslocado para a lateral, e ainda foi opção ofensiva constante.
- Entrada de Reinier – O estreante foi decisivo mesmo com pouco tempo em campo, mostrando frieza e inteligência no passe para Hulk.
- Fator casa – A torcida do Atlético-MG empurrou o time mesmo quando estava atrás no placar, criando pressão constante sobre o adversário.
Análise tática
O primeiro tempo expôs fragilidades do Atlético-MG contra defesas compactas. A circulação de bola foi lenta, e a falta de infiltração permitiu que o Godoy Cruz se sentisse confortável.
No segundo tempo, o Galo adotou postura mais agressiva, empurrando o adversário para o próprio campo e explorando mais as laterais. As substituições deram novo fôlego, especialmente com Cuello na direita, proporcionando amplitude e cruzamentos perigosos.
Defensivamente, ainda houve alguns sustos, mas o controle da posse e a pressão alta evitaram que o Godoy criasse novas chances claras.
Arbitragem e “jogo sul-americano”
A arbitragem deixou a desejar, permitindo que o Godoy Cruz utilizasse e abusasse da cera e das faltas para quebrar o ritmo da partida. O excesso de paralisações irritou a torcida e os jogadores, mas também reforçou a necessidade de o Atlético-MG manter a calma para buscar a virada.
Próximo desafio
O jogo de volta será na próxima semana, em Mendoza, e promete ser ainda mais intenso. O Godoy Cruz, empurrado por sua torcida, deve adotar postura ofensiva, enquanto o Atlético-MG terá de equilibrar defesa sólida com eficiência nos contra-ataques.
Com a vantagem, Cuca poderá trabalhar estratégias para explorar espaços deixados pelo rival. Além disso, reforços como Reinier e Biel já mostraram que podem ser decisivos mesmo saindo do banco.
Estatísticas do jogo
- Posse de bola: Atlético-MG 64% x 36% Godoy Cruz
- Finalizações: Atlético-MG 14 (7 no alvo) x 6 (3 no alvo) Godoy Cruz
- Escanteios: Atlético-MG 6 x 2 Godoy Cruz
- Faltas cometidas: Atlético-MG 12 x 18 Godoy Cruz
A vitória de virada não foi apenas um resultado importante para as oitavas de final da Copa Sul-Americana. Ela também mostrou que o Atlético-MG tem elenco capaz de reagir diante de adversidades e de encontrar soluções no banco de reservas.
O brilho de Cuello, a estreia decisiva de Reinier e a precisão de Hulk são sinais positivos para a sequência da temporada. Agora, com vantagem no confronto, o Galo viaja para a Argentina mais confiante, mas ciente de que precisará manter a concentração para confirmar a classificação.
O duelo em Mendoza promete ser mais um teste de nervos e estratégia, mas se repetir a postura do segundo tempo na Arena MRV, o Atlético-MG tem tudo para avançar às quartas de final.
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Jornalista, especialista em conteúdo para web, revisora e editora. Paola Patrício, jornalista, especialista em conteúdo para web há mais de 10 anos. Analisou e escreveu sobre diversos temas, até se apaixonar pelo esporte e outros temas. Seu foco é levar informações valiosas para os leitores com conteúdo de qualidade.
