Se existe uma frase que define bem o Atlético-MG, ela é: “Se não é sofrido, não é Galo.” Mais uma vez, o mantra da torcida foi confirmado na Arena MRV, na noite da última quarta-feira (24), quando o clube mineiro venceu o Bolívar por 1 a 0 e garantiu vaga na semifinal da Copa Sul-Americana 2025.
A classificação veio com contornos dramáticos. O time de Jorge Sampaoli não fez uma grande atuação, repetiu erros recentes e sofreu com a pressão, mas encontrou forças no fim. O herói da noite foi ninguém menos que Bernard, cria da base, que saiu do banco de reservas para marcar, de cabeça, o gol salvador nos acréscimos.
O resultado não apenas colocou o Atlético-MG na próxima fase da competição continental, como também serviu para virar a chave após uma sequência de quatro jogos sem vitórias.
Escalação inicial e mudanças forçadas
Sampaoli optou por escalar um time alternativo, buscando equilíbrio entre defesa e ataque: Everson; Ivan Román, Lyanco, Victor Hugo e Guilherme Arana; Alan Franco, Alexsander, Igor Gomes, Gustavo Scarpa, Reinier e Hulk.
No entanto, logo aos 13 minutos, o treinador precisou mudar os planos. Alexsander sofreu uma entorse no joelho direito e deixou o campo chorando. Bernard entrou em seu lugar e, ironicamente, acabou sendo o grande protagonista da partida.
O primeiro tempo foi marcado pela lentidão. O Atlético até controlou a posse de bola (62% contra 38% do Bolívar), mas pouco criou. Foram apenas duas finalizações perigosas, ambas com Hulk, enquanto os bolivianos chegaram cinco vezes ao gol de Everson.
A torcida, que lotou a Arena MRV com mais de 34 mil pessoas, apoiou durante quase todo o tempo, mas não deixou de demonstrar insatisfação. No intervalo, as vaias ecoaram pela primeira e única vez, cobrando mais atitude da equipe.
Segundo tempo com mais intensidade
Na volta do intervalo, o Atlético-MG mostrou um pouco mais de energia. Hulk arrancou em velocidade e Scarpa tentou de fora da área, obrigando a defesa adversária a se virar. Reinier também teve boa chance após tabela, mas foi travado no momento da finalização.
Enquanto isso, o Bolívar passou a explorar os contra-ataques. Em um lance crucial, Romero ficou cara a cara com Everson e desperdiçou a melhor oportunidade da equipe boliviana, chutando para fora. Foi o tipo de lance que poderia mudar completamente o rumo do confronto.
Sampaoli fez novas substituições: tirou Arana, Ivan Román, Hulk e Reinier para colocar Biel, Caio Paulista, Fausto Vera e Rony. A entrada de Biel deu novo gás ao time, com velocidade e ousadia pelas pontas. O atacante sofreu pênalti assinalado pelo árbitro Facundo Tello, mas o VAR interveio e marcou falta fora da área.
Bernard: da sombra ao protagonismo
Quando o relógio já marcava os acréscimos e a tensão tomava conta da Arena MRV, o improvável aconteceu. Bernard, que começou no banco e entrou ainda no primeiro tempo, aproveitou cruzamento preciso e marcou de cabeça, levando os torcedores à loucura.
O gol do camisa 11 não apenas selou a vitória, mas também teve um peso simbólico enorme. Bernard é cria da base atleticana, ídolo da torcida desde a conquista da Libertadores de 2013 e estava em busca de afirmação nesta nova passagem pelo clube.
Após o jogo, ele não escondeu a emoção e fez críticas ao antigo treinador Cuca, ressaltando que não havia comunicação entre ambos. Segundo Bernard, a chegada de Sampaoli trouxe confiança e oportunidades, o que resultou no gol mais importante da temporada até aqui.
Análise da atuação do Atlético-MG
Apesar da vitória e da classificação, a atuação do Atlético-MG ainda preocupa. O time mostrou lentidão na transição ofensiva, dificuldades na criação de jogadas e certa vulnerabilidade nos contra-ataques.
Pontos positivos ficaram por conta da entrega coletiva e da solidez defensiva na etapa final, além da força da torcida, que empurrou o time durante os 90 minutos. A Arena MRV mostrou, mais uma vez, ser um fator determinante para as campanhas do Atlético-MG em competições internacionais.
Outro aspecto importante foi a postura de Sampaoli. Diferente de jogos anteriores, em que as substituições não surtiram efeito, desta vez as mudanças melhoraram o rendimento, especialmente com Biel e Bernard.
O impacto da classificação
A vitória sobre o Bolívar não representa apenas a vaga na semifinal da Copa Sul-Americana. Ela também significa sobrevida em uma temporada marcada por altos e baixos. O Galo vinha de quatro jogos sem vencer, incluindo derrotas dolorosas no Campeonato Brasileiro, e precisava desesperadamente de uma resposta positiva.
Além disso, a classificação reacende a esperança de conquistar um título de peso em 2025. A Sul-Americana, que já tem se mostrado competitiva, pode se tornar a grande chance de o Atlético-MG fechar o ano em alta e, quem sabe, garantir vaga direta na próxima Libertadores.
O próximo desafio
Após o alívio contra o Bolívar, o Atlético-MG volta as atenções para o Campeonato Brasileiro. No sábado, a equipe enfrenta o Mirassol, em jogo que pode consolidar a reação e afastar de vez a má fase.
A missão de Sampaoli será manter o equilíbrio entre competições, corrigir falhas apresentadas diante do Bolívar e dar confiança a jogadores importantes como Hulk, Scarpa e Reinier, que ainda buscam maior regularidade.
A torcida, por sua vez, deve seguir acreditando no mantra: se não é sofrido, não é Galo.
O duelo Atlético-MG x Bolívar ficará marcado como mais um capítulo emocionante da história recente do Galo. Em uma noite em que a técnica deixou a desejar, prevaleceram a raça, o apoio da Massa e o brilho de um herói improvável: Bernard.
A classificação às semifinais da Copa Sul-Americana dá ao time mineiro a oportunidade de sonhar com um título internacional e, ao mesmo tempo, reforça a importância de nunca desistir, mesmo quando tudo parece caminhar para o sofrimento dos pênaltis.
O Atlético-MG não jogou bem, mas fez o que precisava: venceu. E, no fim das contas, é isso que importa em mata-mata. Agora, resta saber até onde a força do sofrimento pode levar o Galo nesta competição.
Nos acompanhe nas redes sociais do Apostador Brasileiro e saiba tudo sobre apostas esportivas.
Jornalista, especialista em conteúdo para web, revisora e editora. Paola Patrício, jornalista, especialista em conteúdo para web há mais de 10 anos. Analisou e escreveu sobre diversos temas, até se apaixonar pelo esporte e outros temas. Seu foco é levar informações valiosas para os leitores com conteúdo de qualidade.
